• Ivan Sousa

Sócrates, o retrato fiel de uma vida filosófica



Sócrates é o retrato fiel de uma vida filosófica. Além de um ser humano ético, é um filósofo comprometido com a verdade. Nascido em Atenas, em 469 a.C., com ele, a ética ganha força na reflexão filosófica. Sua ética está intimamente ligada à gnosiologia, e seu ponto de partida é esta célebre frase: "Sei que nada sei", que mostra a convicção de que aquilo que ele sabe constitui uma parte insignificante daquilo que não sabe. Portanto, o sábio deve reconhecer os limites de seu conhecimento e, também, a sua ignorância. A dúvida passa a ter um papel central em sua Filosofia. Para Sócrates, a dúvida funciona como um impulso que eleva o conhecimento para além dos dados sensitivos.


A outra parte da Filosofia de Sócrates, simultaneamente, a mais importante, é o princípio "Conhece-te a ti mesmo".

Para Sócrates, não fazia sentido algum conhecer o mundo sem conhecer a si mesmo. De acordo com o pensador, conhecer a si mesmo estava intimamente ligado à sua concepção ética dos homens. Ele pretendia encontrar a natureza única que está presente em todos os homens (humanidade) e, assim, estabelecer os critérios seguros e universais de conduta, que valeriam para todos os homens. Trata-se de descobrir os motivos das suas ações naquilo que é igual para todos.


Por conseguinte, a noção principal da ética socrática é a virtude, virtude essa que realiza a finalidade da vida humana, dando lhe sentido íntimo. Como mencionamos anteriormente, a ética socrática está intimamente ligada ao conhecimento racional. Nesse sentido, a perfeição da conduta humana só pode alcançar a sabedoria, e, nesse caso, a perfeição pode ser somente obra do saber. Sem o conhecimento da virtude, não se pode agir corretamente; portanto, a perfeição moral identifica-se com o conhecimento.


O conhecimento é o fundamento da virtude, e as normas morais não estão enraizadas nos instintos e nos acasos, mas só se realizam plenamente no solo do conhecimento. A virtude, dessa maneira, é o agir guiado pela razão humana, o lado prático das possibilidades intelectuais.


Com Sócrates, surge, também, uma nova forma de fazer Filosofia. Trata-se da dialética, que recebe uma vasta disseminação na reflexão filosófica posterior. Platão, por exemplo, escreverá suas obras em forma de diálogo, encontrando na dialética uma maneira  de fundamentar o conhecimento em um discurso seguro. Sócrates, no entanto, não escreveu nada. Sua Filosofia era disseminada oralmente em suas conversas em praça pública ou em suas caminhadas pelas ruas e periferias da cidade de Atenas.

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