• Ivan Sousa

POR QUE RELER MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS HOJE?

Carlos Aurélio Mota de Souza

1. INTRODUÇÃO


Autor de uma Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais, com mais de 35 títulos, dezenas de traduções diretas do grego, do latim, do alemão e o francês, de obras do Platão, Aristóteles, Pitágoras, Nietzche, Kant, Pascal, Santo Tomás, Duns Scott, Amiel, Walt Whitman, incursionando sobre todos os temas da filosofia clássica, escolástica, tomista, moderna e contemporânea, ainda dissertou sobre oratória e retórica, lógica e dialética, além de escrever ensaios e romances, muitos sob pseudônimos diversos.

Estudando e lecionando silenciosamente por mais de 30 anos, desenvolveu um método particular de pesquisa, a decadialética, e criou uma filosofia própria, que denominou de Filosofia Positiva e Concreta, e que divulgou largamente em sucessivas edições de suas obras, através de editoras que constituiu e dirigiu pessoalmente, a Livraria e Editora Logos e a Editora Matese.


2. QUEM FOI ESTE FILÓSOFO ?


Em autobiografia publicada-postumamente em Rumos da Filosofia Atual no Brasil (1) , conta que nasceu a 3 de janeiro de 1907, em Tietê, São Paulo, mas foi educado em Pelotas , Rio Grande do Sul, estudando direito em Porto Alegre, onde se formou em 1930.

Escrevia em jornais de Pelotas e no “Diário de Notícias” e “Correio do Povo”, daquela capital, e como jornalista participou da revolução de 30, mas por seu caráter Independente e liberal, conheceu a prisão pelas criticas ao novo regime.

Durante a Segunda Guerra analisou em dezenas de artigos os episódios da conflagração, posteriormente reunidos nos livros Páginas Várias, Certas Sutilezas Humanas, A Luta dos Contrários e Assim Deus falou aos Homens.

Nessa época já traduzira Nietzche (Vontade de Potência, Além do Bem e do Mal, Aurora, e Assim falava Zaratrusta) (2); Pascal (Os Pensamentos e Cartas Provinciais) (3); Amiel (Diário Íntimo) (4); e Balzac (5).

Sentindo restrito aquele círculo cultural, transferiu-se para São Paulo, em 1944, a fim de publicar seus estudos.

Sob o pseudônimo de Dan Andersen, editou primeiro ensaio filosófico, Se a Esfinge falasse, (6), e ainda traduziu as notáveis obras Saudação ao Mundo, de Walt Whitman, Adolphe de Benjamin Constant; Herrmann e Dorotea, de Goethe e Histórias de Natal (7).


3. O QUE ELE DISSE DE SI MESMO


Que filósofo “sui generis” foi este que tinha uma vida intelectual livre e independente, que fugia da vida política e das rodas literárias, e viveu exclusivamente de sua advocacia, do magistério particular e como empresário editorial?

“Nunca ocupei, escreveu ele, nenhum cargo em nenhuma escola, por princípio. Deliberei, desde os primeiros anos, tomar uma atitude que consiste em nunca disputar cargos que podem ser ocupados por outros. Sempre decidi criar o meu próprio cargo, a minha própria posição e situação, sem ter de ocupar o lugar que possa caber a outro... Eis porque não disputo, nunca disputei nem disputarei qualquer posição possa que ser ocupada por quem quer que seja.” (8)

Com seu trabalho demonstrou ser possível escrever filosofia para o grande público, principalmente o brasileiro, enfrentando o preconceito sobre obras que não fossem estrangeiras, contra o que sempre se bateu, procurando afirmar nossa independência e capacidade para desenvolvimento de uma inteligência filosófica nacional. (9)

Entendeu que “somos um povo apto para uma Filosofia de caráter ecumênico, uma Filosofia que corresponda ao verdadeiro sentido com que foi criada desde o início”, a posição pitagórica, de ser “amante da sabedoria (sophia), da suprema Sabedoria, que cointuimos com a própria Divindade. Este afã de alcançá-la, os esforços para atingi-la, os caminhos que percorremos para obter essa suprema instrução (daí chamá-la de ‘Mathesis Megiste’ , que é a suprema instrução), todo esse afanar é propriamente a Filosofia”. (10)

Essa foi sua grande luta, como disse: “não podemos permanecer na situação de ser um povo que recebe todas as idéias vindas de todas as partes, que não possa encontrar um caminho para si mesmo; temos de criar este caminho... Sem esta visão positiva e concreta da Filosofia não será possível dar solução aos inúmeros problemas vitais brasileiros da atualidade, porque a heterogeneidade de idéias e posições facilita a de soluções, das quais muitas não são adequadas às necessidades do Brasil.” (11)


4. QUE É A SUA FILOSOFIA CONCRETA ?


Concebia o mundo segundo uma filosofia que pretende não separar o homem das realidades que ele abstrai (pela “via abstractiva” do filosofar) , mas devolvê-lo à realidade que o cerca e à qual se integra (pela “via concretiva”).

Em sua Filosofia Concreta procurou desenvolver uma metamatematização da filosofia, dentro de um critério pitagórico, dissertando 258 teses com rigorosas demonstrações, tal como exigido para a geometria.

Fundamentou essa filosofia em juízos apodíticos, universalmente válidos para todas as ciências, e não em juízos assertóricos, válidos particularmente apenas para alguns.


a. “Alguma coisa há”


Partindo dessa proposição, desenvolveu suas teses defendendo e demonstrando afirmações positivas de todas as filosofias, e refutando erros de outras, sem lhes destruir o positivo.

Respondendo, por exemplo, a pergunta heideggeriana: “Por que antes o ser do que o nada?”, ensina: O porque não procede pois se em vez do ser fosse o nada, não haveria por que, pois o nada não teria uma razão de ser em si mesmo. Há o ser e este não tem porque. Caberia a colocação de um por que, de um para que, de um qual a razão, de qual o motivo, se houvesse um antes do ser que pudesse ser interrogado. Mas o ser infinito é eterno, e não cabe perguntar por um antes, porque não há um antes. A pergunta é descabida de positividade; é uma pseudo-pergunta.”

E arremata: “Repetimos: ela tem o seu fundamento apenas na acosmia, no desejo de não ser isto que esta aí, na decepção ante o desenvolvimento histórico que gera o esquema de tender para o não ser. Eis o que leva alguns a exclamar perguntando por que não antes o nada do que o ser?” (12)


b. “A Filosofia só é válida quando concreta”


Explica melhor o grande pensador sua filosofia como aquela “dialeticamente construída, sem esquecer o que une, o que está incluso, o que exige para ser, o que implica, o que, enfim, se correlaciona, se entrosa e se análoga”.

“Costuma-se considerar como pensamento concreto, esclarece, aquele que não esquece de meditar com as representações e os conteúdos fácticos, que são dados pela intuição sensível. A Filosofia Concreta tem assim a sua justificação. E ademais parte de uma consideração importante. Não há rupturas no ser; conseqüentemente tudo está integrado no Todo, que o é pela dependência absoluta que o cinge ao Ser infinito e absoluto. A análise jamais deve esquecer este ponto importante, e eis por que o verdadeiro dever do filosofo concreto é jamais desdenhar (ao contrário, obstinar-se em procurar) o nexo de concreção, o que une, o que liga, o que conexiona.” (13)


c. A procura do método mais hábil


Em outra tese o mestre filósofo demonstra que “... como a verdadeira e absoluta ciência de todo o ser já está contido no próprio ser, há de haver, indubitavelmente, um caminho mais hábil para ser alcançado pelo homem que outros. Se uns são mais hábeis que outros, há de haver um que será o mais hábil.”

Revela que “em todos os tempos se considerou que o ponto de partida deve ser um ponto arquimédico, apodítico, de validez universal. Propusemos um que é de validez universal (“alguma coisa há”), sobre o qual não pode pairar nenhuma dúvida séria, pois ultrapassa até a esquemática humana. Conseqüentemente, a análise dessa proposição apodítica revela-se como um caminho hábil. E como não conhecemos outro melhor, propomo-lo como o mais hábil até prova em contrário”.


d. Filosofar é ação


Nessa original obra, que é uma síntese do seu pensamento, Mário Ferreira dos Santos em sua última tese encerra toda a grandiosidade de seu pensar, e revela os mais altos anseios espirituais do filósofo: “A Filosofia é ação; é o afanar-se para alcançar a ‘Mathesis suprema’. Se essa é ou não alcançável pelo homem, este, como um viandante (homo viator), deve buscá-la sempre, até quando lhe paire a dúvida, de certo modo bem fundada, de que ela não lhe está totalmente ao alcance. Esse afanar-se acompanhará sempre o homem, e estabelecido um ponto sólido de esteio, devemos esperar por melhores frutos”. (15)


5. COMO ENTENDIA A SOCIOLOGIA E A ÉTICA


Para o filósofo patrício, a sociologia e uma ciência ética, pois não apenas descreve as relações humanas mas também o dever-ser dessas relações, e, por isso, a questão social é tratada eticamente em sua obra Sociologia Fundamental e Ética Fundamental.

Distinguindo a Moral como o estudo dos costumes, do variante e das relações humanas, e a Ética como revelação filosófica das normas invariantes, eternas, que informam o dever-ser do homem, aponta a confusão provocada por “todo abstractismo moderno, que visualiza o mundo ou do ângulo físico-químico ou do biológico, como procedem materialistas mecaniscistas e os biologistas, ou então do ângulo psicológico como psicologistas, ou do ângulo ecológico como ecologistas, ou do ângulo historico-social como historicistas, ou do ângulo econômico como materialistas históricos, etc., todos eles descuraram do seu verdadeiro sentido, pois confundiram a Ética com a Moral, emprestando àquela as características variantes que esta última apresenta”. (16)


6. MÁRIO E O ATEÍSMO


a. Cuidados com a juventude


Verdadeiro mestre, sempre revelou uma preocupação especial em relação aos jovens, ora advertindo-os, ora exortando-os , ora os conclamando para tomadas de posições enérgicas sobretudo contra os negativismo oferecidos por filosofias hodiernas.

Via a juventude brasileira como o mais grave de nossos problemas, por formarem os jovens a quase totalidade do país; e lançando verdadeiro programa educacional, dizia: “devemos erguer as massas populares até a Filosofia, através de um desenvolvimento da cultura nacional, que tenda à Filosofia Positiva e não a Filosofia negativista e niilista que penetra em nossas escolas. (17)

Por isso, enfatizou, “devemos orientar a juventude para ser construtiva. que receba uma sabedoria clara. positiva, concreta, de modo a imunizá-la contra as tendências niilistas”. (18)


b. Alerta contra o ceticismo


Sempre verberou os velhos erros do passado, ressuscitados como a última palavra do saber, em que o ceticismo é a má erva, as más idéias que estão invadindo o campo cultural moderno, ameaçando não corromper apenas uma cidade ou um povo, mas toda a humanidade.

Em suas aulas, sobretudo, podia se sentir toda a grandeza espiritual do educador que era; em uma delas, dissertando sobre este tema, concluiu, apolíneo: “Eu conclamo a juventude de hoje que não se torne aquela juventude que perseguiu sempre os grandes homens, aquela juventude que perseguiu Sócrates, aquela juventude que perseguiu os pitagóricos, aquela juventude que levou à condenação, à morte a Anaxágoras, mas sim aquela juventude que apoiou Platão, que apoiou Aristóteles no Liceu, que apoiou Pitágoras no seu Instituto, aquela juventude estudiosa, aquela juventude que dedica o melhor de sua vida para formar o seu conhecimento, aquela juventude que quer ser capaz de assumir as rédeas do amanhã, e não a juventude que quer apenas ser uma massa de manobras de políticos demagógicos e mal-intencionados, uma juventude de agitação, mas sim uma juventude construtora, uma juventude realizadora, uma juventude que lance para a história da humanidade os maiores nomes e os maiores vultos...” (19)


c. A crise moderna


Aprofundando esse assunto, Mário Ferreira dos Santos apontou para a perplexidade do homem moderno em todos os campos da existência, na história, na economia, na religião, na estética, na filosofia, e sobretudo a do especialista, que denomina “crise analítica”, indicando a necessidade da concreção, superando velhas ideologias, que geraram as violências que hoje assistimos.

Falando em tom apostolar, candente e convocativo, exclama: “Como não haver ‘crisis’ se cada vez nos separamos mais?”, “não separamos em vez de unir?”, “que fazem nossos ‘especialistas’, senão separarem-se, abstrairem-se na ‘espécie’ no que aprofunda a ‘crisis’?”

E adverte: “nossa inteligência, em vez de unir, incluir, ela separa, desune, exclui. Seccionamos, sectarizamos, e queremos totalizar o todo, homogeneizando-o ao heterogêneo que separamos. Eis aí a ‘crisis’ agravada por nós.(20).

Por tais intuições, denunciou também em seus livros Origem dos Grandes Erros Filosóficos e Erros na Filosofia da Natureza, as velhas teorias sempre refutadas e que ressurgem como novidades, multiplicando-se, gerando atitudes e firmando posições que levaram o homem a profundos conflitos.

Ali admoesta “os bem intencionados para que não sejam vitimas de tais erros, para que possam compreender porque a perplexidade avassala o homem moderno, entendendo, então, por que tais erros se repetem e conquistam adeptos. É mister fazer essa obra de denúncia, porque não é mais possível deixar que tantos males se repitam e se multipliquem”. (21)


d. O problema do mal no mundo


Nenhum assunto escapou à lúcida e penetrante análise filosófica do grande escritor, inclusive o problema de Deus e do mal.

Estudando o teísmo e o deísmo, a possibilidade gnoseológica de conhecermos a Deus, através das inúmeras provas já apresentadas, e outras correntes, chega a discutir qual a causa do mal no mundo, em seu livro O Homem perante o Infinito.

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Aí ele afirma: “O mal só pode ter uma causa: o bem. Uma causa por necessidade, tem que ser e ter o ser; e ter o ser é bem; conseqüentemente, é o bem, mas um bem distintivo do bem do sujeito, no qual imediatamente se encontra tal privação. Mas a causa do mal não pode ser ‘eficiente’ e sim ‘deficiente’, pois o mal, em si, não é ser, nem efeito, mas defeito, falta de ser. Logo, Deus, que é indefectível, não é diretamente causa do mal, nem eficiente, nem deficiente.”(22)

Continua analisando que “também não é causa do mal moral e de nenhum modo, nem direta nem indiretamente, porque a liberdade dada ao homem permite-lhe não pecar e, se peca, o faz por sua vontade. O mal físico pode ordenar-se e querer-se por um bem maior, e assim o quer e o permite Deus. Mas um mal moral não admite nenhuma compensação que o justifique; por isso, conclui Tomás de Aquino que Deus não pode querê-lo de modo algum. Deus tira maiores bens dos males; por isso, os tolera. O defeituoso provém do defectível; ora, Deus não é defeituoso; logo, a causa do mal vem das causas deficientes, que são as causas segundas de onde procede o mal”. (25)

Em profunda crítica discute que “o conceito de mal corno positividade ôntica e ontológica levaria ao nada, pois o mal seria a negação total do ser; portanto, neste sentido, o mal não tem positividade. Um mal absoluto seria destruição do ser e, portanto do próprio mal. O bem supremo é um valor supremo, e não deve ser confundido com o valor ônticamente fundado. Deus, como bem supremo, é o Bem, e a Felicidade Suprema. Como ser subsistente e coordenador de tudo quanto há, é o bem de tudo quanto há.” (24)

Enfeixando todas essas afirmações termina positivamente admitindo que “a própria análise do bem e do mal leva nos a construir mais um argumento em favor da existência de Deus. O mal não é um argumento contra Deus, mas um argumento a seu favor. ‘É preciso que haja Deus, porque há o mal’”. (25)


7. O QUE DIZER DESTE PENSADOR, HOJE


Mário Ferreira dos Santos faleceu a 11 de Outubro de 1968, após longa enfermidade cardíaca. Quase uma década e meia se passaram; e as centenas de obras que publicou, em milhões de exemplares, certamente não se perderam.

Há de estar latente, a todos que com ele privaram, como nós em seus círculos particulares de estudo, ou nas concorridas sessões culturaIs do Centro de Oratória “Rui Barbosa” (CORB), de São Paulo, ou mesmo em trabalhos para a Editora Logos (26), a vivacidade, a lhaneza no trato, a atenção pessoal que dedicava aos problemas que lhe eram lançados.

Multiplicavam-se os cursos e palestras, a que nunca recusava quando abordava com profundidade todos os assuntos propostos, demonstrando cultura humanística invulgar, assentando suas afirmações em filósofos de todas as épocas, e autores de todas as culturas.

Sua afanosa procura da Unidade em todos os campos do saber, dirigindo o pensamento, em conseqüência, para a Sabedoria Suprema, para o Deus unificador, é sabedoria atualíssima, que merece ser estudada e continuada.

Foi um pensador completo, que procurou nada rejeitar em seus estudos e pesquisas, mas apenas refutar o que não fosse positivo, e não levasse o Homem a conhecer-se em totalidade.

Por isso, e nesse sentido, foi um gnoseólogo humanizante, de pensamento total, que nada exclui do homem ou em desvalorização deste.

Homem teórico no pensamento, foi extremamente prático em suas ações, desde a forma popular e simples de apresentar os grandes problemas da Filosofia (27), como no assumir empresas para divulgar pessoalmente suas obras, sem depender de barganhas publicitárias, críticas de encomenda, ou apelos de vendagem (28).

Daí a tremenda penetração de suas obras com dezenas de reedições, demonstrando ser escritor acessível ao entendimento do homem de sua época, conseguindo seu intento de quebrar preconceitos de que filósofos nacionais não seriam bem recebidos.

A extrema fecundidade de trabalho de Mário Ferreira dos Santos legou-nos uma obra filosófica, e como tal não desapareceu dentre os estudiosos.


8. CONCLUSÕES


Se de um lado não deixou discípulos organizados em escola, a Filosofia Positiva e Concreta de Mário Ferreira dos Santos é uma Escola Filosófica adequada ao homem dos nossos dias, para entendimento e solução dos problemas que afligem o mundo.

Restam, ainda, dezenas de obras inéditas (29), que o público atual mereceria conhecer, não só para memória desse extraordinário pensador brasileiro, mas também para o coroamento de sua extensa obra, produzida em momentos de sua maior e melhor intuição filosófica.

Relegada progressivamente a planos inferiores na cultura nacional, urge resgatar a Filosofia Humanizante, centrada na realidade do Ser Supremo.

E este filósofo buscou incessantemente a integração, abordando o ecumenismo, a busca da Unidade, procurando “um método capaz de reunir as positividades de diversas posições filosóficas”, “método incidente e não excludente, que concilie positividades” (30), combatendo ao mesmo tempo as filosofias niilistas, negativistas e pessimistas, que alienam, desesperam e dividem o. homem e o mundo, sem lhes dar a devida concreção, e a certeza do Bem Supremo.

Bem por isso concluiu sua autobiografia apontando para a reconciliação da Filosofia com a religião cristã, como Filosofia Superior capaz de unir os homens e faze-los se compreenderem, pois para ele Cristo representa tudo quanto há de mais elevado, é o homem enquanto Vontade, Entendimento e Amor, correspondente à concepção católica das Três Pessoas da Trindade (31).


9. BIBLIOGRAFIA CITADA


1. SANTOS, Mário Ferreira dos. Meu Filosofar Positivo e Concreto. In. Rumos da Filosofia Atual no Brasil. Organizado por LADUSANS, Pe Stanislaus, S.J., São Paulo, Loyola, 1976, lº Vol., pp.407-427.

2. Vontade de Potência, Ed. Globo, 1945; Além do Bem e do Mal, Ed. Sagitário, 1946; Aurora, Edit. Sagitário, 1947; Assim Falava Zaratrustra, Edit. Logos, 1954.

3. Edit. Flama, 1945.

4. Edit. Globo.

5. “A Fisiologia do Casamento”.

6. Edit. Sagitário, 1946.

7. Edit. Flama, 1945.

8. Rumos, p.410.

9. Idem, p.409; Filosofia Concreta, S.P, Logos, 1957, pp.11-12.

10. Idem, p.415.

11. Idem, p.416.

12. Filosofia Concreta, Tese 251, p.277.

13. Idem, Tese 253, p.281.

14. Idem, Tese 257, p.283.

15. Idem, Tese 258, p.284.

16. São Paulo, Edir. Logos, 1957, 1ª ed., p.12.

17. Rumos, p.416.

18. Idem, p.417.

19. Aula gravada em Agosto de 1965, inédita; dos arquivos do Conpefil

20. Filosofia da Crise. São Paulo, Logos, 1956, p.14.

21. Edit. Matese, 1965, p.16.

22. Edit. Logos, 1963, 5ª ed., p. 245.

23. Idem, p.246.

24. Idem, p.249.

25. Idem, p.250.

26. SOUZA, Carlos Aurélio Mota de. Antologia de Famosos Discursos Brasileiros., 1ª serie, 1ª ed, 1957.

27. Filosofia e Cosmovisão; Convite à Filosofia; Convite à Psicologia Prática; Convite à Arte, etc.

28. Rumos, p.410.

29. A Sabedoria das Leis; A Sabedoria da Dialética Concreta; A Sabedoria dos Esquemas (Tratado de Esquematologia); A Sabedoria das Tensões (Teoria Geral das Tensões); Cristianismo, religião do Homem, Psicologia; Brasil: um país sem esperança? Brasil: um país de exceção. Além das traduções de As Enêadas de Plotino, Páginas Sublimes de São Boaventura; De Primo Princípio de Duns Scott; As Três Críticas de Kant; Interpretação do Apocalipse de São João; Poemas de Lao-Tsé do Tau Te King; Versos Áureos de Pitágoras, e Opúsculos Famosos de São Tomás de Aquino; algumas destas obras restaram inacabadas.

30. Teoria do Conhecimento. São Paulo, Logos, p.11.

31. Rumos, p. 427.

Publicado na Revista Verbo, Madrid, Editora Speiro, nº 295-296, p. 785-794, mayo-junio, 1991


Versão original:

MÁRIO FERREIRA DOS SANTOS Y SU FILOSOFIA CONCRETA

Carlos Aurélio Mota de Souza

Autor de una Enciclopedia de Ciencias Filosóficas y Sociales, con más de 60 títulos, decenas de traduciones directas del griego, latín, alemán y francés, de las obras de Platón, Aristóteles, Pitágoras, Nietzche, Kant, Pascal, San Tomás, Duns Escoto, Amiel, Walt Whitman, ha incursionado por todos los temas de la filosofía clásica, escolástica, tomista, moderna y contemporánea; asimismo discurrió sobre oratoria y retórica, lógica y dialéctica, además de escribir ensayos y novelas.

Estudiando y enseñando silenciosamente por más de trein­ta años, desarrolló un método particular de pesquisa, la deca dialéctica, creando una filosofía original, que ha denominado de Filosofía Positiva Concreta, divulgada en sucesivas ediciones de sus obras, a través de editoras que ha constituido y dirigido personal­mente las Livraria e Editora Logos y Editora Matese, en São Paulo.

¿Quien fue este filósofo?

En su autobiografia (1) cuenta que ha nacido en 1907, en São Paulo, pero fue educado con los jesuitas en Rio Grande do Sul, diplomándose en derecho en Porto Alegre, en 1930. Participa como periodista de la revolución que en ese año llevaría Getulio Vargas al poder, pero, por sus críticas al nueva régimen, fue a la cárcel. Durante la Segunda Guerra analizaba los episodios de la conflagración en articulos, después reunidos en Páginas Várias, Certas Sutilezas Humanas, A Luta dos Contrarios y Assim Deus falou aos Homens.

Ya entonces habia traducido Nietzche (Vontade de Potência, Além do Bem e do Mal, Aurora, Assim falava Zaratustra)(2); Pascal (Os Pensamentos y Cartas Provinciais) (3); Amiel (Diário Íntimo)(4); y Balzac (5); bajo pseudónimo editó el primer ensayo filosófico, Se a esfinge falasse (6), y ha traducido las notables obras Saudação ao Mundo de Walt Whitman; Adolphe de Benjamín Constant; Hermann e Dorotea de Goethe; y Histórias de Natal (7).

Qué ha dicho de sí mismo

Filósofo "sui generis", de vida intelectual libre e independiente, huyendo de la vida política y de las ruedas literarias, vivió de su abogacía, del magisterio particular y como empresario editorial. Escribía filosofía para el gran público, buscando afirmar la independencia y capacidad para desarrollar una inteligencia filosófica brasileña (8), diciendo: "somos un pueblo apto para una filosofía de carácter ecuménico, una Filosofía que corresponda al verdadero sentido con que ella fue creada desde el inicio", la po­sición pitagórica, de ser "amante de la sabiduría (sophia), de la suprema Sabiduría, la que cointuimos con la propia Divinidad. Este afán de alcanzarla, los esfuerzos por atingirla, los caminos que recurrimos para obtener esa suprema instrucción (la "mathesis megiste"), todo ese afanarse es propiamente la Filosofía" (9).

Esa fue su gran lucha, como ha dicho: "no podemos nos quedar en la situación de ser un pueblo que recibe todas las ideas venidas de todas las partes, que no pueda encontrar un camino para sí mismo; hay que crear ese camino ... Sin esa visión positiva y concreta de la Filosofía no será posible dar solución a los inúmeros problemas vitales brasileños de la actualidad, porque la heterogeneidad de ideas y posiciones facilita la de soluciones, de las cuales muchas no son adecuadas a las necesidades de Brasil" (10).

¿Qué es su Filosofía Concreta?

FERREIRA DOS SANTOS concebía el mundo según una filosofía que pretiende no separar el hombre de las realidades que él abstrai (por la "via abstractiva" del filosofar), pero hacerlo retornar a la realidad de su entorno y a la cual se integra (por la "via con­cretiva")

En su Filosofía Concreta busca desarrollar una meta‑matematización de la filosofía, dentro de un criterio pitagórico, di­sertando 258 tesis con rigorosas demostraciones, tal como una geometria. Fundamenta esa filosofía en juicios apodíticos, universal­mente válidos para todas las ciencias, y no en juicios asertóricos, válidos particularmente solo para algunos.

a) Alguna cosa hay"

Partindo de esa proposición, ha defendido y demonstrado afirmaciones positivas de todas las filosofías, refutando errores de algunas otras, sin destruir su positivo.

Por ejemplo, a la pregunta heideggeriana "¿Por qué antes el ser que el nada?", contesta: "El por qué no procede pues si en vez del ser fuera el nada, no haberia por qué, pues el nada no tendría una razón de ser en sí mismo. Hay el ser y este no tiene por qué. Cabria la colocación de un por qué, de un para qué, de una cual la razón, de cual el motivo, si hubiera un antes del ser que pudiera ser interrogado. Pero el ser infinito es eterno, y no cabe preguntar por un antes, porque no hay un antes. La pregunta es descabida de positividad; es una pseudo-pregunta".

Y remata: "Repetimos: ella tiene su fundamiento tan solo en la acosmia, en el deseo de no ser eso que allí está, en la decepción ante el desarrollo histórico que genera el esquema de tender para el ser. He allí el que lleva algunos a exclamar preguntando por qué no antes el nada que el ser?" (11).

b) "La Filosofía solo es válida cuando concreta"

Explica Mário Ferreira dos Santos su filosofía como aquella "dialécticamente construida, sin olvidar lo que une, lo que es­tá incluso, lo que exige para ser, lo que implica, lo que, al fin, se correlaciona, se compagina y se analoga".

"Se costumbra considerar como pensamiento concreto - aclara ‑ aquello que no olvida con meditar las representaciones y los contenidos fácticos, que son dados por la intuición sensible. La Filosofía Concreta tiene así su justificación. Y además parte de una consideración importante. No hay rupturas en el ser; consecuentemente, todo está integrado en el Todo, que lo es por la dependencia absoluta que lo ceñe al Ser infinito y absoluto. El análisis jamás debe olvidar este punto importante, y he allí por que el verdadero deber del filósofo concreto es jamás despreciar (al contrario, obstinarse en buscar) el nexo de concreción, el que une, el que liga, el que conexiona" (12).

c) La búsqueda del método más hábil

En otra tesis el filósofo brasileño demonstra que"... como la verdadera y absoluta ciencia de todo el ser ya está contida en el propio ser, hay que haber, indudablemente, un camino más hábil para ser alcanzado por el hombre, que otros. Si unos son más hábiles que otros, hay que haber uno que será el más hábil".

Revela que "en todos los tiempos se ha considerado que el punto de partida debe ser un punto arquimédico, apodítico, de validez universal. Propusimos uno que es de validez universal ("alguna cosa hay"), sobre el cual no puede caber ninguna duda seria, pues ultrapasa hasta mismo la esquemática humana. Consecuentemente, el análisis de esa proposición apodítica se revela como un camino hábil. Y como no conocemos otro mejor, lo propomos como el más hábil hasta prueba en contrario" (13).

d) Filosofar es acción

En esa original obra, que es una síntesis de su pensamiento, Mário Ferreira dos Santos, en su última tesis encera toda la grandiosidad de su pensar, y revela los más altos anseos espirituales del filósofo: "La Filosofía es acción; es el afanarse para alcanzar la "Mathesis suprema". Si esa es o no alcanzable por el hombre, este, como un viandante (homo viator), debe buscarla siempre, hasta cuando se le ponga la duda, de cierto modo bien fundada, de que ella no le está totalmente al alcance. Ese afanarse acompañará siempre el hombre, y establecido un punto sólido de sostén, debemos esperar por mejores fructos" (14).

Cómo entendía la Sociología y la Ética

Para nuestro filósofo, la sociología es una ciencia ética, pues no solo describe las relaciones humanas como también el deber-ser de esas relaciones, y, por eso, la cuestión social es tratada éticamente en su obra Sociologia Fundamental e Ética Fundamental.

Distinguindo la Moral como el estudio de las costumbres, del variante y de las relaciones humanas, y la Ética como revelación de las normas invariantes, eternas, que informan el deber-ser del hombre, apunta la confusión provocada por todo "abstractismo moderno, que visualiza el mundo o del ángulo físico-químico o del biológico, como proceden materialistas mecanicistas y biologistas, o además del ángulo psicológico como psicologistas, o del ángulo ecológico como ecologistas, o del ángulo histórico-social como historicistas, o del ángulo económico como materialistas históricos, etc, todos ellos descuraran de su verdadero sentido, pues confundiran la ética con la Moral, emprestando a aquella las características variantes que esta última presenta" (15).

FERREIRA DOS SANTOS Y EL ATEÍSMO

a) El cuidado con la juventud

Auténtico maestro, siempre ha revelado una preocupación especial en relación a los jóvenes, ora advertiendo, ora exortando, ora conclamando para tomadas enérgicas de posición, sobre­todo contra los negativismos ofrecidos por filosofías del dia.

Veya la juventud brasileña como uno de nuestros graves problemas, por formaren los jóvenes la mayoría de la población del país; y lanzando verdadero programa educacional, decia: "debemos ­alzar las masas populares hasta la Filosofía, a través de un desa­rrollo de la cultura nacional, que tienda a la Filosofía Positiva y no a la Filosofía negativista y nihilista que penetra en nuestras escuelas" (16).

Por eso, enfatizaba: "debemos orientar la juventud a ser constructiva, que reciba una sabiduría clara, positiva, concreta, de manera a inmunizarla contra las tendencias nihilistas" (17).

b) Alerta contra el escepticismo

Siempre ha verberado las viejos errores del pasado, re­sucitados como la última palabra del saber, en el que el escepti­cismo es la mala hierba, las malas ideas que están invadiendo el campo cultural moderno, amenazando corromper no solo una ciudad o un pueblo, pero toda la humanidad.

En sus clases se podía sentir toda la grandeza espiritual del educador que lo era; en una de ellas, discurriendo sobre ese tema, concluyó, apolíneo: "Yo conclamo la juventud de hoy que no se torne aquella juventud que ha perseguido siempre los grandes hombres, aquella juventud que persiguió Sócrates, aquella juventud que persiguió a los pitagóricos, aquella juventud que llevó a la condena a Anaxágoras, pero sí aquella juventud que apoyó Platón, que apoyó Aristóteles en el Liceo, que apoyó Pitágoras en su Instituto, aquella juventud estudiosa, aquella juventud que dedica el mejor de su vida para formar su conocimiento, aquella juventud que quiere ser capaz de asumir las riendas del mañana, y no la juventud que quiere tan solo ser una masa de maniobras de políticos demagógicos y mal intencionados, una juventud de agitación, pero sí una juventud constructora, una juventud realizadora, una juventud que lance a la historia de la humanidad los mayores nombres y los mayores vultos..."(18).

c) La crisis del mundo moderno

Aprofundando ese tema, Mário Ferreira dos Santos apuntó hacia la perplexidad del hombre moderno en todos los campos de la existencia, en la historia, economía, religión, estética, filoso­fía, y sobretodo la del especialista, que denomina "crisis analí­tica", indicando la necesidad de la concreción a superar viejas ideologías, que generaran las violencias que hoy asistimos.

Hablando en tono apostolar, candente y convocativo, exclama: "¿Cómo no haber 'crisis' si cada vez nos separamos más?", "nos separamos en vez de unir?"; "qué hacen nuestros especialis­tas' sino se separar, se abstraer en la 'especie', en el que aprofunda la 'crisis'?". Y advierte: "nuestra inteligencia, en vez de unir, incluir, ella separa, desune, excluye. Seccionamos, sectarizamos, y queremos totalizar el todo, homogeneizandolo al heteroge­neo que separamos. He aqui la "crisis" agravada por nosotros" (19).

En los libros Origem dos Grandes Erros Filosóficos y Erros na Filosofia da Natureza, admoesta "los bien intencionados que no sean victimas de tales errores, para que puedan comprender ­porque la perplexidad avasala el hombre moderno, entendiendo, en tonces, porque tales errores se repiten y conquistan adeptos. Es mister hacer esa obra de denuncia, porque no es mas posible dejar que tantos males se repitan y se multipliquen" (20).

d) El problema del mal en el mundo

Ningún tema se escapó a la lúcida y penetrante análisis del gran pensador, incluso el problema de Dios y del mal. Estu­diando el teismo y el deísmo, la posibilidad gnoseológica de conocermos a Dios, a través de las inúmeras pruebas ya presentadas, en su O Homem perante o infinito llega a discutir cual la causa del mal en el mundo.

Allí afirma: "el mal solo puede tener una causa: el bien. Una causa, por necesidad, tiene que ser y tener el ser; y tener el ser es bien; consecuentemente, es el bien, pero un bien distintivo del bien del sujeto, en el cual inmediatamente se encuentra tal privación. Pero la causa del mal no puede ser 'eficiente', pero si 'deficiente', pues el mal, en si, no es ser, ni efecto, para de­fecto, falta de ser. Luego, Dios, que es indefectible, no es directamente causa del mal, ni eficiente, ni deficiente (21).

Continua, afirmando que Dios "también no es causa del mal moral y de ninguno modo, ni directa ni indirectamente, porque la libertad donada al hombre la permite no pecar y, si peca, lo hace por su voluntad. El mal físico puede se ordenar y se querer por un bien mayor, y así lo quiere y lo permite Dios. Pero un mal moral no admite ninguna compensación que lo justifique; por eso, concluí Tomás de Aquino que Dios no puede quererlo de ninguno modo. El defectuoso proviene del defectible; ora, Dios no es defectuoso; luego, la causa del mal viene de las causas decientes, que son las causas segundas de donde procede el mal" (22).

En aprofundada critica discute que "el concepto de mal como positividad óntica y ontológica llevaria al nada, pues el mal seria la negación total del ser; portanto, en ese sentido, el mal no tiene positividad. Un mal absoluto seria destrucción del ser, y, portanto, del propio mal. El bien supremo es un valor supremo, y no debe ser confundido con el valor ónticamente fundado. Dios, como bien supremo, es el Bien y la Felicidad Suprema. Como ser subsistente y coordinador de todo cuanto hay, es el bien de todo cuanto hay" (23).

QUÉ DECIR DE ESTE PENSADOR

Mário Ferreira dos Santos falleció el 11 de octubre de 1968, en São Paulo. Más de dos décadas se pasaron y las centenas de obras que publicó, en múltiples ediciones, ciertamente no se perdieran. Hay de estar latente, para todos que con él conviveran, la vivacidad, llaneza en el trato, la atención personal que dedicaba a los problemas que le eran presentados.

Se multiplicaban los cursos y conferencias en que abordaba con profundidad todos los temas propostos, demostrando cultura humanística invulgar, assentada en filósofos de todas las épocas y autores de culturas diversas.

Su afanosa búsqueda de la Unidad en todos los campos del saber, dirigiendo el pensamiento, en consecuencia, hacia la Sabiduría Suprema, hacia el Dios unificador, es filosofía actualísima, que merece ser estudiada y continuada.

Fue un pensador completo, que ha buscado nada rechazar en sus estudios y pesquisas, pero tan solo refutar el que no fuera positivo, y no llevara el hombre a conocerse en su totalidad.

Por eso, y en ese sentido, fue un gnoseólogo humanizante, de pensamiento total, que nada excluye del hombre o de este desvaloriza.

La extrema fecundidad del trabajo de Mário Ferreira dos Santos nos ha legado una obra filosófica grandiosa que, como tal, permanece a la disposición de los estudiosos (25).

Restan, todavía, decenas de trabajos inéditos (26), que merecen ser conocidos, no solo para memoria del extraordinario pensador, sino para coronamiento de una obra producida en los momentos de su mayor intuición filosófica.

Relegada progresivamente a planos inferiores de la cultura, urge rescatar la Filosofía Humanizante, centrada en la realidad del Ser Supremo. Y este filósofo ha buscado incesantemente la integración humanística, abordando el ecumenismo, buscando la Unidad, procurando "un método capaz de reunir las positividades de diversas posiciones filosóficas", "método includente y no excludente, que concilie positividades" (27), combatiendo al mismo tiempo las filosofías nihilistas, negativistas y pesimistas, que alienan, desesperan y dividen el hombre y el mundo, sin darles la debida concreción, y la certeza del Bien Supremo.

Bien por eso ha concluido su auto-biografía apuntando hacia la reconciliación de la Filosofía con la religión cristiana, como Filosofía Superior capaz de unir los hombres y hacer que se comprendan, pues para él, Cristo representa todo cuanto hay de más elevado, es el hombre encuanto Voluntad, Entendimiento y Amor, correspondiente a la concepción de las Tres Personas de la Santísima Trinidad (28).

NOTAS:

1. SANTOS, Mário Ferreira dos. Meu filosofar positivo e concreto. In: Rumos da Filosofia atual no Brasil. LADUSÃNS, Pe. Stanislaus, S. J., São Paulo, Edit. Loyola, 1976, 1º vol., págs. 407-427.

2. Vontade de Potência, Edit. Globo, 1945; Além do Bem e do Mal, Edit. Sagitário, 1946; Aurora, Edit. Sagitário, 1947; Assim falava Zaratustra, Edit. Logos, 1954.

3. Edit. Flama, 1945.

4. Edit. Globo.

5. A fisiologia do Casamento.

6. Edit. Sagitário, 1946.

7. Edit. Flama, 1945.

8. Idem, pág. 409; Filosofia concreta, S. Paulo, Logos, 1957, págs. 11-12.

9. Idem, pág. 415.

10. Idem, pág. 416.

11. Filofosia concreta, Tesis 251, pág. 277.

12. Idem, Tesis 253, pág. 281.

13. Idem, Tesis 257, pág. 283.

14. Idem, Tesis 258, pág. 284.

15. S. Paulo, Edit. Logos, 1957, 1ª ed., pág. 12.

16. Rumos, pág. 416.

17. Idem, pág. 417.

18. Palestra grabada em agosto de 1965, inédita: de los archivos de CONPEFIL, Conjunto de Pesquisas Filosóficas, R. Janeiro.

19. Filosofia da crise. S. Paulo, Logos, 1956, pág. 14.

20. Edit. Matese, 1965, pág. 16.

21. Edit. Logos, 1963, 5ª ed., pág. 245.

22. Idem, pág. 246.

23. Idem, pág. 249.

24. Idem, pág. 250.

25. Principales publicadas: Filosofia e Cosmovisão; Lógica e Dialética; Psicología; Teoria do Conhecimento; Ontología e Cosmología; Tratado de Simbólica; Filosofía da Crise; O Homem perante o Infinito (Teología); Noología Geral; Filosofía Concreta; Filosofía Concreta dos Valores; Pitágoras e o Tema do Número; Aristóteles e as Mutações; O Um e o Múltiplo em Platão; Tratado de Economía; "Protágoras" de Platão; "Isagoge" de Porfírio; "Das Categorías" de Aristóteles; A Sabedoria dos Princípios; A Sabedoria da Unidade; A Sabedoria do Ser e do Nada; y otros títulos, acima de cien.

26. A Sabedoria das Leis; A Sabedoria da Dialéctica Concreta; A Sabedoria dos Esquemas (Tratado de Esquematología); A Sabedoria das Tensões (Teoria Geral das Tensões); Cristianismo, religião do Homem; Pscología; Brasil: um país sem esperança?; Brasil: um país de exceção. Además de traducciones de As Enêadas de Plotino, Páginas Sublimes de São Boaventura; De Primo Princípio de Duns Escoto; As Três Críticas de Kant; Interpretação do Apocalipse de São João; Poemas del Tao-Tsé-King; Versos Áureos de Pitágoras; y Opúsculos Famosos de São Tomás de Aquino; algunas restan inacabadas.

27. Teoria do conhecimento. S. Paulo, Edit. Logos, p. 11.

28. Rumos, p. 427.

Publicado na Revista Verbo, Madrid, Editora Speiro, nº 295-296, p. 785-794, mayo-junio, 1991

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